Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Ninita's

Quem sou eu? Simples, sou uma pessoa normal, que vive numa pequena cidade normal. Sou brincalhona, divertida, trabalhadora e muito simples. Na pratica, sou igual a todas as outras pessoas deste mundo. Bem Vindos a este "meu mundo virtual".

Ninita's

Quem sou eu? Simples, sou uma pessoa normal, que vive numa pequena cidade normal. Sou brincalhona, divertida, trabalhadora e muito simples. Na pratica, sou igual a todas as outras pessoas deste mundo. Bem Vindos a este "meu mundo virtual".

16.08.20

As crises comandam a minha vida

Ninita

 

Tenho tentado não escrever sobre a ansiedade. Pensei várias vezes em escrever ou não. Mas, acabei por decidir que ia escrever e partilhar tudo o que as crises de ansiedade me têm feito nos últimos tempos. 

 

Quem me segue a algum tempo, sabe que fui diagnosticada a algum tempo, com crises de ansiedade. Ninguém sabe de onde vem, nem como aparecem. 

 

Foram tempos difíceis, mas a pouco e pouco, consegui ultrapassá-las e lidar com elas. Ou pelo menos, pensava eu que sim.

 

Nós últimos dias, tem sido duro. Muito duro. Voltaram as dores de pescoço, a dor de garganta, o coração acelerado e o choro constante. 

 

Eu tento e juro que tento mesmo, não voltar a medicação e até agora, não tomei nenhum calmante. Não quero. Quero ultrapassar sozinha, mas custa tanto. 

 

A questão do vírus, da falta de trabalho, de estar meses em casa, do medo constante, da incerteza, tudo me está a afetar. Logo eu, que vou contra tudo e contra todos, quando isto acontece não ando, arrasto-me.

 

Ninguém sabe que elas voltaram. Nem o marido. Nem a filha. Ele vê-me a chorar por tudo e por nada, mas não pergunta. Se calhar, já sabe e está a espera q eu lhe diga. Mas eu não quero dizer. Não lhe quero dizer que tenho medo e que o quero aqui, comigo, sempre.

 

Ele sabia que eu queria comprar uma passadeira, para correr em casa. E como não vamos estar juntos no meu aniversário, comprou-ma agora, para puxar por mim. É uma forma de eu ter mais uma coisa para fazer e durante uns minutos não pensar em nada. Foi a prenda adiantada que me deu, por não saber se me vai dar outra. E claro, q eu chorei que nem uma Madalena arrependida. E ele não sabe. Não o quero preocupar ainda mais, porque sei que também lhe custa.

 

So gostava que as crises se fossem embora. Outra vez. E não voltassem. Mas ainda não consegui fazer isso. É não sei quando vou conseguir. 

 

Muitas pessoas sofrem do mesmo. Muitas nem sabem. Muitas têm sintomas piores. A mim, custa-me a respirar, fico com a garganta apertada, dores musculares sem sentido. Hoje nas costas, amanhã numa perna, depois num braço. Sintomas psicossomáticos. Tenho tudo e não tenho nada. Quando afinal, só tenho é medo.

 

Voltei a afastar-me de toda a gente. Nestes 5 dias não liguei a nenhum dos meus amigos. Não quero que percebam o que se passa. Não quero preocupar nenhum. Apesar de saber que se me virem, sabem logo. Mas eu não quero que saibam. Todos têm as suas preocupações e não quero que tenham mais. 

 

É a minha sina. E não há nada a fazer. 

 

 

14.08.20

Vamos falar de racismo

Ninita

 

 

Toda a gente diz que não é racista e frito e cozido. 

 

E nos ultimos dias, voltou-se a falar de racismo. Porque A e B sofreram ameaças de morte e bla bla bla wiskas saquetas.

 

Se acho que somos racistas? Acho. E muito. E não é só com pessoas de outra cor, etnia ou religião.

Somos racistas com as pessoas do nosso proprio pais.

 

Querem um exemplo? É simples. Os emigrantes. (e lá vou eu levar porrada, porque só estou a falar porque o meu gajo tambem é emigrante).

Sim, os emigrantes são vitimas, imensas vezes de racismo.

Ora vejamos : perante toda esta situação do Covid, uma das coisas que muita gente diz é : "ai e tal, agora com os emigrantes que vêm cá passar as ferias, trazem todos o virus. Se ficassem era lá, é que faziam bem."

Mas esquecem-se, que muitos estão completamente sozinhos, sem familia sem ninguem, a ganhar a vida para darem melhores condições a familia em Portugal.

 

Conheço varios, mas mesmo vários, que a primeira coisa que fizeram quando chegaram, foi ir fazer o teste, para poderem pelo menos, ver a familia. E falo de pessoas com alguma idade, que vieram ver os pais idosos (sabe-se lá se não é a ultima vez que os vêm).

 

Vou-vos dar outro exemplo pratico, que me aconteceu. O gajo, ao pagar qualquer coisa com o cartão estrangeiro, era olhado de cima a baixo. E houve ate quem lhe perguntasse se ja tinha ido e vindo ou se ainda nao tinha voltado para la desde Março, para ter a certeza que não tinha trazido o bicho com ele.

Caramba, compreendo que haja medo. Mas, isso não é racismo??

E ja agora, fazem o mesmo aos Lisboetas, onde ha tantos casos e não se ouve a dizem : não venham para aqui, que são de Lisboa. Fiquem mas é ai. Não... Muito pelo contrario. Dizem : faça ferias ca dentro e venham para o interior, onde há mais pessoas idosas e nao temos grandes cuidados de saude...

 

Em compensação, dizem aos emigrantes : vão se embora, não venham. Pergunto-me se a culpa é so deles.

 

Isto tambem é uma forma de racismo. Não é só o tom de pele que conta. Não é só a cidadania.

 

Vale a pena pensar nisso, não???

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Blog Portugal

Arquivo

  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2022
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2021
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2020
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2019
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2018
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Em destaque no SAPO Blogs
pub